Sobre a Liga
Daniel Araújo, um dos maiores adeptos do FC Famalicão, sonha representar o clube ao mais alto nível
Os apenas 14 anos de idade de Daniel Araújo, famalicense de gema, fazem-no sonhar e dão asas à vontade de querer “alcançar muitos objetivos” no FC Famalicão. Afinal, representar o clube da cidade é um “sonho de pequeno” e, por isso, são de felicidade os dias que o médio vai vivendo.
Foi em plena escadaria da emblemática Casa de Camilo, edifício em honra a Camilo Castelo Branco, escritor português do séc. XIX, que Daniel começou por demonstrar querer subir os degraus do futebol. Sempre com uma bola nos pés.
O “promissor” futebolista já cumpriu, “com grande orgulho”, seis anos de “símbolo do Famalicão ao peito”, representando aquela que diz ser a sua “segunda família”. Um sentimentalismo repercutido também em casa.
Num quarto devidamente revestido com as cores do clube, uma característica também própria da idade, Daniel vai preparando diariamente o sucesso que tem na escola.
Por ali existem fotografias, quadros, posters e cachecóis do FC Famalicão e um “troféu” que exibe de brilho nos olhos. Não se trata de uma taça, mas da primeira camisola de tons azul claro e branco que vestiu. Está assinada e guardada carinhosamente.


Atualmente, o jovem centrocampista pertence ao escalão de sub-14, e é habitualmente o capitão. Na época que terminou, e enquanto iniciado de 1.º ano, atuou pelos sub-15, dado “o compromisso, a liderança e a inteligência tática” que foi demonstrando em campo.
“Apresenta condições para chegar ao departamento profissional do clube. É muito equilibrado desportiva e socialmente, e, além disso, tem uma postura fantástica e bons resultados escolares”, elogia Tiago Pinto, treinador dos sub-15.
O técnico julga que a “maturidade apresentada” por Daniel, portador do “ADN famalicense”, é fruto de uma simbiose. “Técnica, comunicação, saber estar e levar a sério o futebol”, releva, acreditando que são estes os ingredientes necessários” para se tornar num futebolista “conceituado”.
Sendo o futebol um desporto coletivo e, naturalmente, interativo, e “estando cada jogador dependente de outro”, Daniel ganhou também neste campo, já que foi revelando uma “forte amizade” com os demais companheiros, grande parte deles colegas de escola.
“A relação com eles é fantástica, fazendo um trabalho excecional em termos de união de grupo”, confirma o treinador Tiago Pinto.
Essa conexão terá, agora, continuidade na nova Academia FC Famalicão, inaugurada a 02 de junho, naquela eu foi uma “boa ideia do clube” e que possibilitará aos jogadores desenvolverem todas as suas qualidades.
É esta, pelo menos, a opinião de Daniel, que ambiciona evoluir “ainda mais com as condições” do recente complexo desportivo famalicense. Mas mostra um espírito altruísta ao revelar ter a esperança que “todos (os companheiros) evoluam” tanto quanto ele.
Também Nuno Moreira, coordenador de formação do clube, sustenta a vontade do jovem médio, a quem deixa alguns elogios: “É um jogador com muito equilíbrio e permite que outros possam sair valorizados”.
A sonhar com o futuro
Daniel é uma criança que gosta de viver em comunidade e isso deve-se muito à realidade que vive diariamente. O respeito para com aqueles que atuam a seu lado estende-se, igualmente, “aos adversários e equipas de arbitragem”, atitude que o pai Porfírio Araújo normalmente incentiva.
“O conselho que lhe tenho dado é de ser humilde, principalmente no futebol. Faz muita falta”, frisa, algo emocionado. Porém, falta de vaidade não representa falta de ambição. O progenitor tem o “sonho” de ver, um dia, Daniel a jogar ao mais alto nível em solo português.
Tal pai, tal filho, pois, também o jovem jogador pretende “representar, um dia, o FC Famalicão” ao mais alto nível, que é como quem diz, “nas competições da Liga Portugal”.
"Aposta na formação"
“Aqui aprendemos a ser. Crescemos com os ensinamentos (…)”. Inscritas numa das paredes da nova Academia FC Famalicão, estas palavras, que principiam o lema do clube, vão ser lidas, vezes sem conta, pela maioria de 300 jovens atletas, distribuídos por sete escalões, a partir da próxima temporada.
O jovem Daniel mostra interiorizar essa divisa. E com orgulho. Sem esquecer a “raça e a paixão” quando enverga a camisola famalicense, com o desejo de vencer “sempre”, o próprio reconhece a transversalidade de valores sociais ao futebol, como a “entreajuda e a solidariedade”. São fatores dos quais não abdica e, por isso, são “aplicados no quotidiano” do jovem jogador.
O dia-a-dia do FC Famalicão, esse, não será mais o mesmo depois da edificação do recente complexo desportivo do clube. Futuro auspicioso? Nuno Moreira, coordenador da formação do FC Famalicão, que está “honrado e orgulhoso” por este investimento, não duvida disso mesmo.
“Estas condições de treino vão elevar muito a qualidade do processo de ensino e a aprendizagem deles”, afirma, definindo o objetivo das mesmas: “Levar, cada vez mais, jogadores para o futebol profissional”, destaca, sem qualquer tipo de problemas.
A implementação de diferentes procedimentos de treino, a adição de departamentos de suporte ao rendimento desportivo e, obviamente, a ligação escolar visam, com um “maior conforto”, possibilitar a formação “integral” dos futebolistas da ‘cantera’ famalicense, que já mostra valor. Note-se que em 2017-18, as equipas de sub-13 e de sub-16 sagraram-se campeões da Associação de Futebol de Braga.
Certo é que tanto jogadores como staff técnico, todos ficam a ganhar com a Academia FC Famalicão, sendo este “um sinal claro do clube na aposta da sua formação”. “Eles aprendem com pessoas qualificadas e experientes, permitindo-lhes ser melhores. Mas nós também, através da sua própria evolução”, frisa Nuno Moreira.
À semelhança do formato de uma bola, a secção de formação do FC Famalicão idealiza um crescimento global dos atletas, tanto no relvado como no ‘jogo da vida’, fazendo parte obrigatória da metodologia clubística o acompanhamento de cada ano letivo. Um exemplo disso é a parceria com o Agrupamento Escolar Júlio Brandão, limítrofe ao estádio do clube.
“Quanto mais próximos eles estiverem, maior interação existe com a realidade escolar e familiar. É nosso papel também fornecer ferramentas para poderem singrar”, assume o coordenador da formação do emblema nortenho.
Segundo Nuno Moreira, o juvenil Daniel “apresenta características desportivas e de cidadania importantes” para que possa vir a atingir um patamar elevado, estando inclusive “referenciado” pelo potencial que vem revelando.
Depositando-lhe o clube “bastante confiança”, o coordenador do FC Famalicão alerta para “todas as variáveis neste processo”, embora reconheça que a probabilidade de nascer uma estrela do futebol português no interior das quatro linhas “é bem mais alta” com as “melhores condições” da nova academia. As etapas de crescimento, essas, vão cumprir-se com calma.
Lição de futebol à mesa
Deni Hocko, médio montenegrino, de 24 anos, é o jogador favorito de Daniel entre todos os que estão no principal plantel do FC Famalicão, sobretudo pela “personalidade” que tem, mas também por, em campo, não dar “nenhum lance como perdido”.
O futebolista profissional, que está a desfrutar de um período de férias após a última temporada, não deixou de agradecer a Daniel pela eleição. Através de um vídeo, combinou almoçar com o seu maior fã, assim que regressar a Famalicão, para preparar a época 2018-19.
Antes de terminar o vídeo, que está disponível para ser visto através da Liga TV, Deni Hocko fez questão de deixar palavras de alento e incentivo ao pequeno Daniel, para que este se motive ainda mais para o futuro imediato. Dentro e fora do relvado.