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Francisco Pinheiro: "Somos um país médio à escala europeia"

Liga-te | 07/05/2018

Da simbiose anglo-lusa, passando pela “emancipação” futebolística nacional até à sua globalização: uma narrativa de 130 anos, dos quais 40 são "profissionais"

O foot-ball, modalidade britânica, praticou-se pela primeira vez em Portugal em 1875, na Camacha, na ilha da Madeira, apenas por ingleses.
Porém, viria a ser em outubro de 1888, em Cascais, que se jogaria “verdadeiramente” futebol entre portugueses, por intermédio de Guilherme Pinto Basto, estudante lisboeta em Inglaterra e que trouxe uma bola, “distribuindo” jogo.

O designado “pai” do nosso futebol e todas essas figuras ficariam ligadas à génese dos primeiros clubes de Lisboa, como o Clube Internacional de Foot-Ball (CIF), em 1902, dando continuidade ao Foot-Ball Club Lisbonense, de 1892.

À LIGA-TE, o historiador Francisco Pinheiro, de 45 anos, a propósito da exposição comemorativa dos 40 anos da Liga Portugal, lembrou a “indissociável narrativa de 130 anos do próprio futebol”, na qual a profissionalização “é um capítulo”.

“O presente é o reflexo do passado”, afirmou o investigador e jornalista, que se dedica a “recuperar muito do nosso imaginário” futebolístico, tendo já 11 livros “criadores de cultura desportiva”.

O esférico continuou, então, a rolar no Campo Pequeno, formaram-se clubes e, em 1894, as equipas de Lisboa e do Porto disputaram a primeira taça. A norte, o futebol implementou-se, sobretudo, por produtores de vinho do Porto – a Fábrica Graham fundou o Boavista Footballers.

A “fácil” interpretação do jogo, o descanso obrigatório a partir de 1911 e a mediatização – 140 jornais desportivos nos anos 20, altura em que imperava o analfabetismo – atraíam milhares de pessoas para junto das quatro linhas.
No Inverno, multiplicavam-se guarda-chuvas.

Em 1914, as associações do Porto, de Portalegre e de Lisboa firmam a União Portuguesa de Futebol, hoje FPF, que ficou sediada na capital portuguesa e incumbida, primeiro, de promover a criação de mais coletividades para se organizar uma prova de âmbito nacional.

Foi então que, com o Campeonato de Portugal de 1922 – o que aconteceu um ano após a estreia da Seleção Nacional, capitaneada por Cândido de Oliveira – começaram a aparecer os relatos junto às balizas nos anos 30. 

Simultaneamente, houve um “dimensionamento” de FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, clubes que popularizaram a modalidade em Portugal. O futebol luso foi sempre no sentido evolutivo e de crescimento.

"Legitimado" nos primórdios pelo rei D. Carlos I, durante a monarquia, as figuras da I República e o próprio Estado Novo “também acolheram” politicamente o futebol. O Estádio do Jamor, em Oeiras, erguido em 1944 como Estádio Nacional, é uma monumental obra salazarista.
Ainda hoje recebe importantes jogos do calendário futebolístico, como é o caso da final da Taça de Portugal.

Entretanto, começaram a desenvolver-se outras estruturas associativas, e construíram-se, na década de 50, o Estádio da Luz, de Alvalade e das Antas. Enquanto os clubes cresciam a olhos vistos, em campo, o modelo competitivo e a capacidade dos treinadores potenciaram o jogador luso, que se conseguiu internacionalizar.

Entre 1960 e 68, as “águias” venceram por duas vezes a Taça dos Campeões Europeus, os “leões” conquistaram uma Taça das Taças em 1964 e Portugal atingiu o 3.º lugar no Campeonato do Mundo de 1966.

“Com todos os condicionalismos, e mesmo sendo muito amador, conseguimos dominar o grande espectro ao nível de clubes, que se foi depois refletindo. À escala europeia não somos um pequeno país, mas sim um médio”, rematou Francisco Pinheiro.

A verdade é que por essa altura, “(…) o estádio que maior número de espetadores comportava no país” era o do… “Café Futebol Clube”, chegou a referir Francisco Mata, antigo jornalista português.
What a beautiful game!

"Simbolismo importante a Liga acolher a história do futebol"

Após o 25 de abril, os clubes puderam pensar em profissionalizarem-se, o que era até então “proibido”. A 03 de fevereiro de 1978, 17 emblemas oficializam a fundação da Liga Portuguesa de Clubes do Futebol Profissional, no Porto, liderada por João Aranha.

O primeiro presidente do organismo, assim como o segundo, Lito Gomes de Almeida, dão, hoje, nome ao auditório – onde Francisco Pinheiro falou à LIGA-TE – e à principal sala de reuniões da Liga Portugal, respetivamente.

"Foram dirigentes que trouxeram mudanças estruturais e um maior profissionalismo. Por não representarem nenhum clube, conciliavam opiniões e tinham visão para o futebol. Aliás, sempre tivemos bons dirigentes”, explicou o historiador.
Honra feita.

Em 1995, “recria-se” a instituição, que passa a organizar a I Divisão e a Divisão de Honra. A 19 de agosto, Farense e Tirsense davam o primeiro pontapé “profissional”, que pode ser (re)visto no hall da Liga Portugal. Essa – e outras memórias – encontram-se numa exposição que eterniza uma narrativa de 130 anos.
Da simbiose anglo-lusa, passando pela “emancipação” futebolística nacional até à sua globalização.

Francisco Pinheiro reconheceu, por isso, o organismo como “um dos fiéis depositários do património”, salvaguarda esta feita “especialmente
nos últimos anos”, durante a presidência de Pedro Proença.

“Tem um simbolismo muito importante a Liga acolher a história do futebol português, num sinal de cultura desportiva. Os clubes, muito deles centenários, puderam olhar-se aqui e perceber o seu valor histórico”, realçou à LIGA-TE.

Atualmente, de 33 sociedades desportivas que constituem o futebol profissional, 14 (Ver quadro) já celebraram os 100 anos de existência, um número considerado “impressionante” pelo historiador e um verdadeiro apaixonado pelo fenómeno que é o futebol.

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