Sobre a Liga
Anuário do Futebol Profissional Português apresentado pela Liga Portugal e consultora EY
A Liga Portugal e a EY apresentaram, em Coimbra, o primeiro Anuário do Futebol Profissional Português. Nele, é analisado o impacto do futebol profissional na produção de receitas para o Estado e no PIB nacional, bem como na quantificação de postos de trabalho gerados na indústria.
O projeto, realizado no âmbito de uma parceria estratégica entre a consultora e a Liga Portugal, prevê ainda a elaboração e monitorização do Plano Estratégico e do Business Plan do organismo que tutela as competições profissionais de futebol em Portugal.
No Anuário, estima-se que a Liga Portugal e as Sociedades Desportivas analisadas contribuíram com mais de 456 milhões de euros para o PIB português (0,25%) na época de 2016-17, período em que geraram, de acordo com as conclusões agora apresentadas, mais de 680 milhões de euros em volume de negócios.
Relativamente ao contributo para o PIB, trata-se de um valor impulsionado pela subida das receitas das Sociedades Desportivas da Liga NOS e que ascenderam aos 659 milhões de euros, um aumento de 31% face à temporada anterior. Ganhos relacionados com direitos de atletas e valores previstos em contratos de transmissão televisiva de jogos, destacaram-se como as principais fontes de receita.
Altamente influenciada por salários mais elevados de atletas, treinadores e funcionários, a despesa total das Sociedades Desportivas da Liga NOS ascendeu aos 585 milhões de euros, um aumento de 6% face à época anterior.
Os gastos com pessoal da Liga NOS atingiram os 268 milhões de euros, representando cerca de mais 12% em salários. Na época anterior (2015-16), o perfil de gastos com pessoal foi de 177 milhões de euros com jogadores dos plantéis (74%), 28 milhões de euros com treinadores das equipas (12%) e 26 milhões de euros com funcionários das Sociedades Desportivas (11%). Nessa época. o ordenado médio dos jogadores da Liga NOS foi de 197,595 euros anuais.
Quanto a gastos relacionados com direitos de atletas, foram amortizados 80 milhões de euros, cerca de 86% do total da rubrica. Relativamente aos custos das dívidas contraídas, foram pagos 43 milhões de euros em juros, tendo os três primeiros classificados um peso de 96% desse montante. O Anuário revela ainda que o total do ativo e do passivo das Sociedades Desportivas tem vindo a aumentar.
De acordo com Miguel Farinha, da EY, “as estimativas de impacto económico analisadas no relatório representam apenas uma porção do total de impacto da indústria do futebol. Há um leque alargado de indústrias da economia nacional que, de forma direta ou indireta, beneficiam com o futebol profissional, tais como o turismo, media e apostas desportivas.
"Durante a época de futebol, milhares de adeptos viajam pelo país para seguir a sua equipa, enquanto milhões mais assistem a jogos ao vivo e a destaques na televisão, acedendo cada vez mais a conteúdos online”, acrescenta.
“O futebol em Portugal tem impactos diretos significativos, e que resultam da atividade direta da Liga e das Sociedades Desportivas. No entanto, para além deste impacto direto na economia, existem também impactos indiretos, como o social e cultural, e que, apesar de não calculados neste anuário, são tão relevantes como os diretos. Se estes impactos indiretos fossem contabilizados, bem como o impacto direto existente da Federação e das sociedades não profissionais, o peso do futebol no PIB nacional ou mesmo a estimativa de criação de emprego seriam ainda mais elevados”, reforça o responsável.
Segundo o Presidente da Liga Portugal, Pedro Proença, “neste anuário foi sistematizada toda a informação relevante da indústria do futebol profissional. Os números e os factos que trabalhamos, um documento que será uma ferramenta vital para o crescimento e desenvolvimento da nossa indústria".
"Sabemos, hoje e ao pormenor, os impactos da nossa atividade no tecido macroeconómico do País, sabemos que temos um papel importante nos territórios e noutros setores de atividade, que geramos emprego e que somos um contribuinte de referência em Portugal", acrescenta, reforçando que "com este documento, afinaremos indicadores e orientações no sentido da maturidade do futebol profissional, em franco desenvolvimento, com a noção clara da sua capacidade de autossustentabilidade".
Pedro Proença realça, ainda, que "os horizontes da gestão do futebol profissional e da valorização das competições estão clarificados e obedecerão a um plano estratégico consistente e estruturante gerido pela Liga Portugal, que estará apoiado pelo know how da consultora EY”.
A análise permitiu ainda concluir que os prémios de participação atribuídos às equipas atingiram um valor de 72 milhões de euros em 2015-16, impulsionado pela presença do SL Benfica nos quartos-de-final da Liga dos Campeões nessa época. Os contratos estabelecidos com patrocinadores de camisolas, fornecedores de material desportivo e comercialização de camarotes atingiram os 67 milhões de euros na época de 2015-16.
As transações de atletas têm, de acordo com o relatório, um impacto material nos rendimentos das Sociedades Desportivas. Em 2015-16, atingiu-se 157 milhões de euros fruto de saldos de transações positivas (91%) e rendimentos com empréstimos de jogadores (9%). No que respeita ao mercado de transferências verificou-se um maior volume no mercado de Verão do que no mercado de Inverno.
A primeira edição agora divulgada conclui que o futebol organizado pela Liga Portugal, e que inclui a Liga NOS (20,1 milhões de euros), a LEDMAN LigaPro (1,5 milhões de euros) e a Liga Portugal (300 mil euros), contribuiu com mais de 21,9 milhões de euros em impostos na época 2015-2016. Os dados agora revelados incluem apenas impostos com a componente de segurança social e IRC da Liga e das sociedades desportivas associadas e contabilizam apenas impactos diretos destas entidades.
O futebol profissional português foi responsável por pelo menos 2.055 postos de trabalho em Portugal em 2015-16 o que reflete a contribuição do futebol para a criação de emprego em diversas áreas da economia. O estudo reforça que a maior parte dos postos de trabalho provêm das Sociedades Desportivas da Liga NOS que empregam 1.523 trabalhadores, em que 787 são jogadores, 212 são treinadores e 524 são outros funcionários das Sociedades Desportivas. Já as Sociedades Desportivas da LEDMAN LigaPro empregam, por sua vez 488 trabalhadores que se decompõem em 348 jogadores, 55 treinadores e 85 funcionários das Sociedades Desportivas.
No que respeita ao impacto do futebol profissional em Portugal, o relatório conclui que o futebol influência económica, social e culturalmente a sociedade, muito impulsionado pela conquista do Europeu de 2016 e reflete um investimento continuado nas Sociedades Desportivas, nas infraestruturas e nos planteis em virtude do aumento da importância das competições. No entanto, no futebol profissional existem outras indústrias que beneficiam indiretamente do sucesso e desenvolvimento do futebol português.
Relativamente às receitas da Liga Portugal, verificou-se um aumento nas últimas três épocas, tendo ascendido aos 14,8 milhões de euros na época de 2016-2017, o que representou um aumento de 1% face à época anterior e de 24% comparativamente à época 2014-2015. No que respeita aos gastos, a Liga Portugal termina a época 2016-17 com 12,3 milhões de euros mais 4% que na época anterior e apenas mais 3% do que na época de 2014-15.
O anuário destaca ainda o pioneirismo do futebol profissional no uso de tecnologias inovadoras que providenciaram um desporto mais justo e mais transparente para os seus intervenientes.