Meus senhores, boa noite!
Fui eleito presidente da Liga na primeira eleição disputada por mais que um candidato.
Estou consciente da responsabilidade que os clubes profissionais de futebol acabam de me entregar.
Sinto que, com o envolvimento de todos os associados, parceiros, patrocinadores, colaboradores da liga e adeptos de futebol, conseguiremos iniciar agora um tempo novo.
A campanha terminou ontem. Mas terminou mesmo.
É minha primeira responsabilidade mostrar aos clubes que estou empenhado numa união sem precedentes em torno do essencial.
Os que em mim confiaram não o fizeram só para ganhar uma eleição, e muito menos o terão feito por mim. Fizeram-no pelos clubes, por todos os clubes, e porque estão conscientes das enormes dificuldades que temos pela frente e que só unidos ultrapassaremos.
Esta vitória eleitoral não é por si só a mudança que procuramos – é apenas a oportunidade que temos para implementar um novo modelo. E isso não pode acontecer sem a união de todos os clubes em torno de um projecto que defende os interesses de todos e cada um.
Meus senhores,
Vamos tratar de implementar as medidas que fizeram os clubes apoiar este projecto.
Na medida do que à Liga diz respeito, vamos propor o alargamento da Liga Zon Sagres para dezoito clubes.
Vamos propor aos clubes o estabelecimento de um novo mecanismo de negociação colectiva dos direitos televisivos procurando aumentar as receitas totais e parciais.
Vamos, com esse acréscimo de receitas, pugnar pelo estabelecimento de mecanismos de solidariedade e de um fundo transitório de apoio à descida de divisão.
Defenderemos, de forma empenhada e intransigente, a atribuição aos clubes das receitas da publicidade das apostas online.
O Governo português, ou melhor, os sucessivos governos desde pelo menos 2005, têm de conseguir explicar-nos por que razão o Real Madrid, o Bayern de Munique, o Olympique de Lyon, a Federação Internacional de Basquetebol e tantos outros, podem recorrer a patrocínios de apostas desportivas e Portugal não pode.
Das quatro maiores Ligas do mundo somos a única que não pode.
O actual ministro com a tutela do Desporto é um governante reformista. Tem aqui uma grande oportunidade de demonstrar que também o é na área do financiamento do sistema desportivo.
Esta regulação não interessa apenas ao futebol. Interessa a todos os desportos.
Vamos aumentar ainda mais a competitividade do nosso futebol e torná-lo mais exposto nos mercados internacionais.
Esta tarefa não se consegue sem o envolvimento de todos os clubes.
E não se consegue também sem os excelentes patrocinadores que a Liga detém e sem os detentores de direitos de transmissão televisiva e os canais de televisão.
Contamos, para tudo isto, com a total colaboração dos excelentes quadros da Liga, mantendo os altos níveis de desempenho demonstrados nos últimos anos e que cumpre reconhecer publicamente, bem como com o trabalho das comissões de clubes que importa fomentar.
Vamos recentrar o papel da Liga como uma entidade ao serviço de todos os clubes.
Vamos fomentar uma Liga de Clubes mais sustentável, mais autónoma e mais internacionalizada.
E daqui lançamos um longo abraço a todos os clubes, sem excepção, da Liga Zon Sagres e da Liga Orangina, porque com todos eles contamos para o futuro do futebol português.
Obrigado à Comunicação Social que aqui hoje passou o dia e sem a qual o futebol profissional também não existe.
A partir de agora importa trabalhar.
Muito obrigado.